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quarta-feira, 17 de abril de 2019

Relacionamento com comunidade indígena é um desafio, mas também oportunidade para construção de uma agenda positiva

Foto: Reprodução
Ao decidir, na década de 90, instalar a fábrica de celulose numa região com forte presença de comunidades indígenas Pataxós e Tupinambás, a direção da Veracel tinha poucas informações sobre como lidar com essas comunidades. “Não existe uma fórmula pronta para interagir com as comunidades tradicionais, principalmente indígenas. A construção de um bom relacionamento com essas comunidades é fundamental para a operação de qualquer empreendimento”, avalia Eunice Britto, da Etno Consultoria, especializada em assessoria voltada ao relacionamento com as comunidades locais e tradicionais localizadas em área de atuação de empreendimentos, além de delegada de Direitos Humanos do CNDH, Conselho Nacional de Direitos Humanos.

 Regidos por uma legislação própria, a consultora aponta que ao entenderem as peculiaridades e necessidades das comunidades indígenas, as empresas dão um grande passo para uma convivência pacífica. “Relações com comunidades tradicionais vão além da instalação de projetos sociais, condicionantes de licenciamentos ambientais e princípios norteadores de certificações. Os índios querem que sua cultura e seus direitos sejam respeitados. Do contrário, é certo que possíveis conflitos sejam instalados. Em face a este processo é que se faz necessário o engajamento e o relacionamento contínuo, culturalmente apropriado e realizado por colaboradores capacitados”, alerta Eunice.

 Foi no processo longo de construção que a Veracel conseguiu estabelecer o diálogo e a manutenção contínua desse relacionamento. “Credibilidade e confiança se conquistam com o tempo”, diz Renato Carneiro, diretor de Sustentabilidade e Relações Corporativas. Ele conta que, no começo, os índios enxergavam a empresa como um invasor no território, mas esse cenário foi mudando aos poucos quando a Veracel estruturou a forma de interagir com eles. “Fizemos um mapeamento das aldeias, identificamos as lideranças de cada uma delas e começamos a dialogar, buscando uma relação íntegra, transparente e ética. No momento em que você cria essa identificação e eles percebem que a alta gestão está comprometida e aberta ao diálogo, essa situação muda”, avalia. 

 Necessidades específicas - Na área onde a Veracel atua existem cerca de 25 mil índios. São 29 aldeias Pataxós e três aldeias Tupinambás, duas comunidades bastante expressivas que demandam uma série de necessidades, como educação, serviços de saúde, assistência na agricultura, entre outras, que nem sempre são atendidas pelo Estado.

 Nos últimos cinco anos, a Veracel investiu cerca de R$ 3,4 milhões em ações junto às comunidades indígenas. Uma delas é o Programa Educação é Vida, cujos investimentos são direcionados para a reforma, melhorias e construção de escolas, bem como doação de computadores e material escolar (só em 2019 foram doados cerca de 5 mil conjuntos de material de apoio educativo escolar, identificados como ideal pelas escolas). “São iniciativas que ajudam a diminuir despesas das famílias com aquisição de material escolar e a reduzir inclusive a evasão escolar, porque a criança se sente mais motivada tendo acesso aos recursos didáticos”, enfatiza Carneiro.  

 Promoção de saneamento básico das aldeias e incentivos à preservação e ao resgate da cultura destas comunidades tradicionais, como instalação de kigemes (centros culturais) e apoio aos Jogos Indígenas, também estão no escopo de investimentos da empresa.

 Outra linha de ação é voltada para as atividades agrícolas. “temos apoiado projetos de irrigação nas comunidades; instalação de hortas comunitárias; viveiro para produção de mudas; projetos de fruticultura, piscicultura, entre outros”, enumera o diretor.

 Sobre a Veracel
Instalada em Eunápolis, desde 1991, a Veracel é um empreendimento agroindustrial que integra operações florestais, industriais e de logística. A capacidade de produção da empresa é da ordem de 1,1 milhão de toneladas de celulose branqueada de eucalipto por ano. A atual configuração da base florestal da Veracel mantém um hectare protegido ambientalmente para cada hectare de plantio de eucalipto.

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