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quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Um dia para tomar consciência de que negro não é descendente de escravos

Foto: Reprodução

 Existe ainda, atrelada a data designada para a CONSCIÊNCIA NEGRA, a questão da conscientização de todos na sociedade, e dos próprios negros sobre a sua história, a sua ancestralidade que foi violentamente apagada quando da construção dos materiais que ilustrariam os tempos passados.

E nos tempos presentes, muitas pessoas brancas e até pessoas negras, mesmo as que alcançam graduação mais alta, desconhecem sua cultura, suas representações intelectuais mais importantes. Quantos de nós será que conhece a fundo Frantz Fenon, Conceição Evaristo, Tia Ciata, Hélio Santos, Luiza Mahin, Francisco Nascimento, o Dragão do Mar, Maria Firmina, Milton Santos, ou mesmo Zumbi e Dandara?

Ainda tem negro, no Brasil, que não sabe que é negro e reproduz racismo vitimando outros negros desse crime que ele internalizou. 

Anular a intelectualidade de um povo é contribuir com sua desumanização, pois seres que não tem condições de pensar e produzir conteúdo resultante de suas reflexões e vivências não é um povo digno de ser tratado como humano.

E o racismo faz isso, ao anular vozes negras preparadas e intelectualizadas, confinados ao lugar de “ex-escravos” e esquecendo toda a rica história do povo negro como se, ter sido a mão de obra que sustentou o Brasil Colônia, fosse sua única utilidade. 

E por fim, precisamos sim, de um dia específico para celebrar um ícone da raça negra e ensinar as nossas crianças um pouco de sua história.

Então, querida pessoa, não questione sobre o dia da tal consciência branca, porque nenhuma pessoa branca tem dúvida sobre a história dos povos brancos ao longo dos séculos, mas muitos de nós ainda desconhece a história e a diversidade da cultura negra. É por isso que ainda precisamos de um dia para tomar consciência desse legado.

E aproveite para nunca mais dizer que pessoas negras são descendentes de escravos. Engano seu. Elas são descendentes de pessoas livres que foram escravizadas...

Você já ouviu algum judeu dizer que ele é descendente de escravos? Óbvio que não. Então faça a comparação. Os judeus foram utilizados como escravos no Egito durante 430 anos. Sem contar os outros 70 anos de confinamento na Babilônia. Só que os judeus se identificam como pessoas originárias de um povo livre, anterior à escravidão.

No entanto, nós brasileiros aceitamos com naturalidade a tradição de limitar a identidade dos negros com a fronteira do Navio Negreiros, sem lembrar o que ficou para traz. Ninguém se preocupa com a evidência, também óbvia, de que eles eram originalmente livres na África. Esta naturalização é um reducionismo ideológico contra a humanidade. É a prova cabal da falta de conscientização dessa história. 

Por isso precisamos, ainda no século XXI, de um dia para nos conscientizar dessa e de outras histórias e fazer nossas próprias indagações: será que vamos continuar sendo tão babacas a ponto de cobrar o dia da Consciência Branca?

Por: Rose Marie Galvão é jornalista e professora de História

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